quinta-feira, 16 de julho de 2015

Homilía Dominical dia 19/07/2015 - Mc 6,30-34



                  Vida Espiritual e Oração

                 Mons. José Maria Pereira







O Evangelho ( Mc 6, 30-34) mostra a preocupação de Jesus pelos seus discípulos, cansados depois de uma missão apostólica pelas cidades e aldeias vizinhas. “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco’’, diz-lhes. E explica o Evangelista Marcos que eram tantos os que iam e vinham que não tinham tempo para comer. Então foram, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar deserto.

Vinde... e descansai um pouco, diz-nos o Mestre. No descanso, longe de centrarmos a atenção no nosso eu, também devemos procurar Cristo, porque o Amor não conhece férias. “ Em qualquer lugar para onde o homem se dirija, se não se apoia em Deus, sempre achará dor, adverte-nos Santo Agostinho: ao menos a dor de termos deixado o Senhor de lado.
Não devemos empregar os momentos de lazer em não fazer nada. “ Descanso significa represar: acumular forças, ideais, planos...Em poucas palavras: mudar de ocupação, para voltar depois- com novos brios- aos afazeres habituais” ( Sulco, n°514). Esse deve produzir um enriquecimento interior, consequência de se ter amado a Deus, de se ter cuidado com esmero da vida de piedade ( oração, leitura bíblica, vida sacramental).
Às vezes muitos cristãos deixam sua vida espiritual de lado ao escolherem, imprudentemente, lugares de férias onde o ambiente moral se degradou de tal modo que um bom cristão não pode frequentá-los, se deseja ser coerente.
O Senhor poderia dizer a muitos: “Por que continuas a caminhar por estradas difíceis e penosas? O descanso não está onde tu procuras. Fazes bem em procurar o que procuras; mas deve saber que não está onde procuras. Procuras a vida feliz na região da morte. Não está ali! Como é possível que haja vida feliz onde nem sequer há vida?” (Santo Agostinho).
Cada domingo somos enviados à missão; e também nós, como os discípulos, voltamos sempre de novo para junto de Jesus, a fim de contar a Ele o que fizemos e ensinamos. E com Jesus transformaremos a ação missionária em ação de graças. Faremos ressoar hoje a voz de Jesus: Eu vos dou graças, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, por tudo que realizastes na semana que passou.
O Evangelho nos mostra a necessidade de o evangelizador, o apóstolo, ficar a sós com Jesus, de retirar-se para um lugar solitário. Não é possível comunicar o que não se tem. Daí a necessidade dos momentos de oração, de um retiro espiritual. Jesus, após as atividades apostólicas, retirava-se para as montanhas, onde permanecia em oração durante a noite.
É impossível ter-se um apostolado fecundo sem estas pausas reparadoras aos pés do Mestre, destinadas a cobrar novas forças, não apenas físicas, mas sobretudo, espirituais. Pausa de oração e de atenção interior para aprofundar a palavra do Senhor e encarna-la, cada vez melhor, na própria vida.
Já ensinava São Josemaría Escrivá: “... a tua vida de apóstolo vale o que valer a tua oração” ( Caminho, 83).
O Beato João Paulo II ao apresentar as metas pastorais para o século XXI, disse: “ Em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para o qual deve tender todo caminho pastoral é a santidade.Na verdade, colocar a programação pastoral sob o signo da santidade é uma opção carregada de consequências. Significa exprimir a convicção de que, se o Batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus mediante a inserção em Cristo e a Habituação de seu Espírito, seria um contrassenso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Para esta pedagogia da Santidade, necessita-se um cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração. Empenhar-se com maior confiança numa pastoral que dê todo espaço à oração pessoal e comunitária significa respeitar um princípio essencial da visão cristã da vida: O primado da graça” (Novo Millenio Ineunte, números  30 e 32).
A exemplo do Mestre, saibamos nos retirar para estarmos a sós com o Pai, em oração. “Quem não avança, recua”, diz Santo Agostinho. A medida de como está nossa vida interior está no modo como fazemos nossos momentos de oração. A vida que levamos é uma tradução da oração que fazemos. Unidos ao Senhor pela oração sejamos os bons pastores que, cheios de zelo, cuidam para que as ovelhas não se percam.




 

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