sábado, 17 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL


Homilia de Mons. José Maria Pereira 
Vocações

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               Hoje o Evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) nos lembra nossa vocação de evangelizadores.

               O que é narrado nesse texto, deve ter acontecido muitas vezes enquanto o Senhor percorria cidades e aldeias pregando a chegada do Reino de Deus: ao ver a multidão, encheu-se de compaixão por ela, comoveu-se no mais íntimo do seu ser, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor, profundamente desorientadas.

               Encheu-se de compaixão, ou condoeu-se dela: o verbo grego é profundamente expressivo: ”comover-se nas entranhas”.  Jesus,  com efeito, comoveu-se ao ver o povo, porque os seus pastores, em vez de o guiarem e cuidarem dele, o desencaminhavam, comportando-se mais como lobos do que como verdadeiros pastores do seu próprio rebanho.
                 “Se fôssemos consequentes com a nossa fé, quando olhássemos à nossa volta e contemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos deixar de sentir crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram o de Jesus Cristo”(São José Maria  Escrivá , Cristo que passa, 133). Com efeito, a consideração das necessidades espirituais do mundo deve levar-nos a um infatigável e generoso trabalho apostólico.             

                  A dificuldade é que agora, como nos tempos de Jesus, os trabalhadores são poucos em proporção com a tarefa. A solução é dada pelo próprio Senhor: Orar, rogar a Deus, Dono da messe, para que envie trabalhadores para a colheita. Será difícil que um cristão, que se ponha a rezar de verdade, não se sinta urgido a participar pessoalmente neste trabalho apostólico!

                 Na verdade, recorda-nos o Beato Papa Paulo VI: “A responsabilidade da difusão do Evangelho que salva é de todos, de todos os que o receberam. O dever missionário recai sobre todo o Corpo de Igreja. De maneira e em medidas diferentes, é certo; mas todos, todos devemos ser solidários no cumprimento deste dever. Assim pois, que a consciência de cada crente se pergunte: Tenho cumprido o meu dever missionário?
A oração pelas Missões é o primeiro modo de por em prática este dever”.

                O Papa Emérito Bento XVI disse que “a messe existe, mas Deus quer servir-se dos homens, a fim de que ela seja levada ao celeiro. Deus tem necessidade de homens. Precisa de pessoas que digam: Sim, estou disposto a tornar-me o teu trabalhador na messe, estou disposto a ajudar a fim de que esta messe que está a amadurecer nos corações dos homens possa verdadeiramente entrar nos celeiros da eternidade e tornar perene comunhão divina de alegria e de amor”. Continua Bento XVI: “ Rogai, portanto, ao Senhor da Messe”! Isto quer dizer também: não podemos simplesmente “produzir” vocações, elas devem vir de Deus. Não podemos, como talvez em outras profissões, por meio de uma propaganda bem orientada, mediante, por assim dizer, estratégias adequadas, simplesmente recrutar pessoas. O chamado, partindo do coração de Deus, deve sempre encontrar o caminho até o coração do homem”. São João Paulo II convidou: “Meus caros jovens, que vós sois chamados, sois chamados por Deus. A minha vida, a minha vida como homem tem, portanto, o seu significado, quando sou chamado por Deus, com um apelo vigoroso, decisivo e definitivo:  Somente Deus pode chamar assim o homem, e nenhum outro! E este apelo de Deus é feito incessantemente em Cristo e por Cristo, a cada um de vós; sede operários da messe da vossa humanidade, operários da vinha do Senhor, para participardes da colheita messiânica da humanidade”. Continua São João Paulo II: “Precisamos de ministros ordenados que sejam garantia permanente da presença sacramental de Cristo Redentor, nos diversos tempos e lugares e, com a pregação da Palavra e a celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos, guiem as Comunidades cristãs pelos caminhos da vida eterna. Precisamos de homens e mulheres que, com seu testemunho, conservem viva nos batizados a consciência dos valores fundamentais do Evangelho e façam emergir na consciência do Povo de Deus a exigência de responder com a  santidade de vida ao amor de Deus derramado em seus corações pelo Espírito Santo”.
Nesse texto do Evangelho vê-se como é essencial a oração na vida da Igreja; que Jesus chama os seus Doze Apóstolos depois de lhes ter recomendado que rezassem para que o Senhor enviasse operários para a Sua messe (Mt 9, 38).

              Toda a atividade apostólica dos cristãos deve ser, pois, precedida e acompanhada por uma intensa vida de oração, visto que não se trata de uma empresa meramente humana, mas divina.

           “A messe é muita, mas os operários poucos...Ao escutarmos isto -- comenta São Gregório Magno --, não podemos deixar de sentir uma grande tristeza, porque é preciso reconhecer que há pessoas que desejam escutar coisas boas; falta, no entanto, quem se dedique a anuncia-las”.

            Temos de pedir com frequência a Deus que se verifique no povo cristão um ressurgir de homens e mulheres que descubram o sentido vocacional da sua vida; que não somente queiram ser bons, mas se saibam chamados a ser operários no campo do Senhor e correspondam generosamente a essa chamada: homens e mulheres , velhos e jovens, que vivam entregues a Deus no meio do mundo, muitos em celibato apostólico; cristãos correntes, ocupados nas mesmas tarefas dos seus iguais, que levem Cristo ao âmago da sociedade de que fazem parte.

             Peçamos também à Santíssima Virgem que nos faça entender como dirigida a cada um de nós essa confidência que o Senhor faz aos seus -- a messe é muita --, e  formulemos um propósito concreto de empreender com urgência e constância um esforço grande para que sejam muitos os operários no campo de Deus. Peçamos-lhe a enorme alegria de ser instrumentos para que outros correspondam à chamada que Jesus lhes faz.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL




Homilia de Mons. José Maria Pereira 
Santíssima Trindade
Ano A

Santíssima Trindade

Depois de ter celebrado os mistérios da Salvação, desde o nascimento de Cristo (Natal) até a vinda do Espírito Santo (Pentecostes), a liturgia propõe-nos o mistério central de nossa fé: a Santíssima Trindade.

A Igreja celebra o mistério mais elevado da doutrina revelada, o seu mistério central. O enunciado do mistério é muito simples, como aprendemos no Catecismo: A Santíssima Trindade é o mesmo Deus Pai, Filho e Espírito Santo; três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro. Mistério insondável que nos leva a três atitudes: adorar, agradecer e amar. Somente compreenderemos isso no Céu.

 O Papa Bento XVl, em 2010, assinalou que “este domingo da Santíssima Trindade, em certa maneira, recapitula a revelação de Deus ocorrida nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, sua ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo. A mente e a linguagem humanas são inadequadas para explicar a relação existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e entretanto os Padres da Igreja procuraram ilustrar o mistério de Deus, Uno e Trino, vivendo-o na própria existência com profunda fé.

A Trindade divina, de fato, faz morada em nós no dia do Batismo. ‘Eu te batizo, diz o ministro, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. O nome de Deus, no qual fomos batizados, recorda cada vez que fazemos o sinal da Cruz.

O teólogo Romano Guardini, a propósito do sinal da Cruz observa: “fazemo-lo antes da oração, para que nos disponha espiritualmente em ordem; para concentrar em Deus os pensamentos,  o coração e a vontade; depois da oração, para que permaneça em nós aquilo que Deus nos deu.

Isso abrange todo o ser, corpo e alma, e tudo fica consagrado em nome do Deus, Uno e Trino.”

Seguidamente Bento XVl afirmou que “no sinal da Cruz e no nome do Deus vivente está, por isso, contido o anúncio que gera a fé e inspira à oração. E, como no Evangelho Jesus promete aos Apóstolos que ‘quando vier o Espírito da Verdade, Ele os introduzirá em toda a verdade’, assim acontece na liturgia dominical, quando os sacerdotes dispensam, semana após semana, o pão da Palavra e da Eucaristia”.

Toda a vida da Igreja está impregnada pelo Mistério da Santíssima Trindade. E quando falamos aqui de mistério, não pensemos no incompreensível, mais na realidade mais profunda que atinge o núcleo do nosso ser e do nosso agir.

Mas é Cristo quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt, 11, 27). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-o à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos; e revelou-nos a perfeitíssima Unidade de vida entre as Pessoas divinas (Cf. Jo16, 12-15).

O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados continuamente pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo.

Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e ao terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos repetimos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Meditando sobre a Trindade, dizia S. Jose Maria Escrivá: “Deus é o meu Pai! Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.
Jesus é meu Amigo íntimo ! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu coração.

O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho. Pensa bem, nisso. Tu és de Deus…, e Deus é teu” (Forja, nº 2).

Desde que o homem é chamado a participar da própria vida divina pela graça recebida no Batismo, está destinado a participar cada vez mais dessa Vida. É um caminho que é preciso percorrer continuamente.

A Santíssima Trindade habita na nossa alma como num templo. E São Paulo faz-nos saber que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Cf. Rm 5, 5). E aí, na intimidade da alma, temos de nos acostumar a relacionar-nos com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo. Dizia Santa Catarina de Sena: “Vós, Trindade eterna, sois mar profundo, no qual quanto mais penetro, mais descubro, e quanto mais descubro, mais vos procuro”.

Imensa é a alegria por termos a presença da Santíssima Trindade na nossa alma! Esta alegria é destinada a todo cristão, chamado à santidade no meio dos seus afazeres profissionais e que deseja amar a Deus com todo o seu ser; se bem que, como diz Santa Teresa, “há muitas almas que permanecem rodando o castelo (da alma), no lugar onde montam guarda as sentinelas , e nada se lhes dá de penetrar nele. Não sabem o que existe em tão preciosa mansão, nem quem mora dentro dela”. Nessa “preciosa mansão”, na alma que resplandece pela graça, está Deus conosco: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Desde pequenos, aprendemos de nossos pais a fazer o sinal da cruz e chamar a Deus: de Pai, Filho e Espírito Santo.

Assim com toda a naturalidade, estávamos invocando o mistério mais profundo de nossa fé e da vida cristã: Santíssima Trindade que hoje celebramos.

Só Cristo nos revelou claramente essa verdade: Fala constantemente do Pai: Quando Felipe diz: “Mostra-nos o Pai…”, Jesus responde: “Felipe… quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,8).
Jesus promete o Espírito Santo: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena Verdade”.

Quando se despede, no dia da Ascensão, afirma: “Ide… e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

A contemplação e o louvor à Santíssima Trindade são a substância da nossa vida sobrenatural, e esse é também o nosso fim: porque no Céu, junto de Nossa Senhora – Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: mais do que Ela, só Deus – , a nossa felicidade e o nosso júbilo serão um louvor eterno ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 O então Papa Bento XVl ressaltou que: ” assim  como  aconteceu com a Virgem Maria, a Santíssima Trindade composta  por Deus Pai. Deus Filho e Deus Espírito Santo, deve conduzir a vida de todo cristão vivendo este mistério com profunda fé e com a necessária abertura à graça “para avançar no amor para Deus e para o próximo”.

Fazendo o sinal da Cruz, nós declaramos a cada vez, nossa vontade de pertencer à Trindade.

Pense nesta frase de São Paulo: “... nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no pensamento humano, o que Deus tem preparado para aqueles que O amam” ( 1Cor 2, 9).


Monsenhor José Maria Pereira

sábado, 3 de junho de 2017

HOMILIA DOMINICAL



Homilia de Mons. José Maria Pereira 
Pentecostes
Missão do Espírito Santo

Com a Solenidade de Pentecostes encerramos o Tempo Pascal!

Pentecostes era uma das grandes festas judaicas; muitos israelitas iam nesses dias em peregrinação a Jerusalém, para adorar a Deus no Templo. A origem da festa remontava a uma antiqüíssima celebração em que se davam graças a Deus pela safra do ano, em vésperas de ser colhida. Depois acrescentou-se a essa comemoração, que se celebrava cinqüenta dias depois da Páscoa, a da promulgação da Lei dada por Deus no monte Sinai. Por desígnio divino, a colheita material que os judeus festejavam com tanto júbilo converteu-se, na Nova Aliança, numa festa de imensa alegria: a vinda do Espírito Santo com todos os seus dons e frutos.

Hoje é a plenitude do Mistério Pascal, com o Dom do Espírito Santo à Igreja. É o nascimento da Igreja. O Pentecostes é o cumprimento da promessa de Jesus: “… se Eu for, enviá-Lo-ei” (Jo 16,7).

O que aconteceu em Pentecostes é o contrário do que ocorreu em Babel. Na torre de Babel cada um começou a falar a sua língua e por isso não se entendiam. Em Babel, reina o egoísmo, o individualismo. Com a torre, os homens ambicionavam chegar aos céus com as próprias forças, com os próprios méritos. Em Pentecostes, há a união de línguas, todos reconhecem a linguagem que se fala pelo Espírito. É uma linguagem do amor, que une o que estava disperso. É uma linguagem que vai além dos aspectos culturais, cada um escuta como se fosse sua própria língua e compreende. Em Pentecostes não é o homem que tenta se alçar ao céu. É o Céu que desce ao homem no Espírito. Aqui não se trata de méritos, mas pura graça. Tanto no relato de Atos ( 2, 1-11), como no Evangelho de João ( 20, 19-23), fala-se que os discípulos recebem o Espírito Santo quando estão reunidos  em comunidade. Desde a fundação da Igreja, o Espírito se faz presente quando dois ou mais estão reunidos.

A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, não foi um acontecimento isolado na vida da Igreja. O Paráclito santifica-a continuamente, como também santifica cada alma, através das inúmeras inspirações que se escondem em “todos os atrativos, movimentos, censuras e remorsos interiores, luzes e conhecimentos que Deus produz em nós, prevenindo o nosso coração com as suas bênçãos, pelo seu cuidado e amor paternal, a fim de nos despertar, mover, estimular para o amor celestial, para as boas resoluções, para tudo aquilo que, numa palavra, nos conduz à nossa vida eterna. A sua ação na alma é suave e aprazível; Ele vem salvar, curar, iluminar” (São Francisco de Sales).

No dia de Pentecostes, os Apóstolos foram robustecidos na sua missão de anunciarem a Boa Nova a todos os povos. Todos os cristãos têm, desde então, a missão de anunciar, de cantar as maravilhas que Deus fez no seu Filho e em todos aqueles que creem nEle. Somos agora um povo santo para publicar as grandezas dAquele que nos tirou das trevas para a sua luz admirável.

Ao compreendermos a grandeza da nossa missão, compreendemos também que ela depende da nossa correspondência às moções do Espírito Santo, e sentimo-nos necessitados de pedir-lhe freqüentemente que lave o que está manchado, regue o que está seco, cure o que está doente, acenda o que está morno, retifique o que está torcido. Porque sabemos bem que no nosso interior há manchas, e partes que não dão todo o fruto que deveriam porque estão secas, e partes doentes, e tibieza e também pequenos desvios, que é necessário retificar.

Não se pode conceber vida cristã nem Igreja sem a presença e a ação do Espírito Santo.
Depois que Jesus completou a sua obra, constituído Senhor a partir de sua ressurreição, envia ao mundo o seu Espírito, o Espírito do Pai. Conforme São João (Cf. Jo 20,19-23), Jesus comunica o seu Espírito, o mesmo Espírito que Ele entregou ao Pai no dia da ressurreição. Para isso, sopra sobre eles, transmitindo-lhes a vida nova, a força, o Espírito Santo: “Recebi o Espírito Santo…” e o Dom do Perdão e da Reconciliação.

O Espírito Santo nos conduz à vida de oração. A vida cristã requer um diálogo constante com Deus Uno e Trino, e é a essa intimidade que o Espírito Santo nos conduz. Acostumemo-nos a procurar o convívio com o Espírito Santo, que é quem nos há de santificar; a confiar nEle, a pedir a Sua ajuda, a senti-Lo perto de nós. Assim se irá dilatando o nosso pobre coração, teremos mais ânsias de amar a Deus e, por Ele, a todas as criaturas.

A chama do Espírito Santo transformou totalmente os apóstolos… Que essa mesma chama ilumine e aqueça a nossa vida no caminho da Unidade, do Bem e da Verdade…
“O Espírito Santo vem em socorro à nossa fraqueza”, diz S. Paulo (Rom. 8,26). Diz São João da Cruz que o Espírito Santo, com a sua chama está ferindo a alma, gastando e consumindo-lhe as imperfeições dos seus maus hábitos.

Para chegarmos a um convívio mais íntimo com o Espírito Santo, aproximemo-nos da Virgem Maria, que soube secundar como ninguém as inspirações do Espírito Santo. “Perseveravam unânimes na oração, com algumas mulheres e com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1,14).

Rezemos hoje com a Igreja: Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal se completasse durante cinquenta dias, até a vinda do Espírito Santo. Fazei que todas as nações dispersas pela terra, na diversidade de suas línguas, se unam no louvor do vosso nome.

Cantemos: Vem, vem, vem, vem Espírito Santo de Amor, vem a nós, traz à Igreja em novo vigor.

Mons. José Maria Pereira

sábado, 27 de maio de 2017

HOMILIA DOMINICAL


Homilia de Mons. José Maria Pereira 
Ascensão do Senhor - Ano A
Ascensão: Pensar no céu

Hoje celebramos o mistério conclusivo da vida de Jesus: sua Ascensão ao Céu. É a sua entrada oficial na glória que lhe correspondia como ressuscitado, depois das humilhações do Calvário; é a volta ao Pai anunciada por Si no dia de Páscoa; “ Vou subir para Meu e vosso Pai, Meu e vosso Deus”  (Jo 20,17). E aos discípulos de Emaús: “Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?” (Lc 24,26).
A vida de Jesus na terra não termina com a sua morte na Cruz, mas com a Ascensão aos céus. É o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o mistério pascal. Convinha que os que tinham visto Cristo morrer na Cruz, entre os insultos, desprezos e escárnios, fossem testemunhas da sua exaltação suprema.
Comentando sobre a Ascensão, ensina São Leão Magno: ”Hoje não só fomos constituídos possuidores do paraíso, mas com Cristo ascendemos, mística mais realmente, ao mais alto dos céus, e conseguimos por Cristo uma graça mais inefável que a que havíamos perdido.”
A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas que são do alto. Agora a nossa esperança é muito grande, pois o próprio Cristo foi preparar-nos uma morada.
O Senhor está já no Céu com o seu Corpo glorificado, com os sinais do seu Sacrifício redentor, com as marcas da Paixão que Tomé pôde contemplar e que clamam pela salvação de todos nós.
A Ascensão se nos apresenta, assim, não tanto como uma festa da partida de Jesus deste mundo quanto como a festa de sua permanência aqui na terra. Ele, com efeito, não deixou este nosso universo.  “Não abandonou o céu quando de lá desceu até nós e nem se afastou de nós quando novamente subiu ao céu. Ele é exaltado acima dos céus: todavia, sofre aqui na terra todos os dissabores que nós, seus membros, suportamos. Disto deu testemunho gritando: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Santo Agostinho). Cristo está ainda presente e comprometido com este mundo com todo seu corpo que é a Igreja.
Dizia São Josemaria Escrivá: “Cristo espera-nos. Vivemos já como cidadãos do Céu (Fil 3,20), sendo plenamente cidadãos da terra, no meio das dificuldades, das injustiças, das incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade que nos dá sabermo-nos filhos amados de Deus. E se, apesar de tudo, a subida de Jesus aos céus nos deixar na alma um travo de tristeza, recorramos à sua Mãe, como fizeram os apóstolos: Tornaram então a Jerusalém… e oravam unanimemente… com Maria, a Mãe de Jesus (At 1,12-14).”
A esperança do Céu encherá de alegria o nosso peregrinar diário. Imitaremos os apóstolos que, segundo São Leão Magno, “tiraram tanto proveito da Ascensão do Senhor que tudo quanto antes lhes causava medo, depois se converteu em alegria. A partir daquele momento, elevaram toda a contemplação das suas almas à divindade que está à direita do Pai; a perda da visão do corpo do Senhor não foi obstáculo para que a inteligência, iluminada pela fé acreditasse que Cristo, mesmo descendo até nós, não se tinha afastado do Pai e, com a sua Ascensão, não se separou dos seus discípulos.”
O pensamento do Céu ajudar–nos-á a superar os momentos difíceis. É muito agradável a Deus que fomentemos esta esperança teologal, que está unida à e ao amor, e que em muitas ocasiões nos será especialmente necessária. “A hora da tentação, pensa no Amor que te espera no Céu. Fomenta a virtude da esperança, que não é falta de generosidade”( Caminho, 139 ).
A meditação sobre o Céu deve também estimular-nos a ser mais generosos na nossa luta diária “porque a esperança do prêmio conforta a alma para que empreenda boas obras”( São Cirilo de Jerusalém).  O pensamento desse encontro definitivo de amor a que fomos chamados ajudar-nos-á a estar mais vigilantes nas  nossas tarefas grandes e nas pequenas, realizando-as de um modo acabado, como se fossem as últimas antes de irmos para o Pai.
O pensamento do Céu, ao celebrarmos a festa da Ascensão, deve levar-nos a uma luta decidida e alegre por tirar os obstáculos que se interpõem entre nós e Cristo, deve estimular- nos a procurar sobretudo os bens que perduram e a não desejar a todo custo as consolações que acabam.

Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a dos seus discípulos, a nossa: “Vós sereis testemunhas de tudo isso” (Lc 24,48), diz Jesus. Portanto, a festa de hoje, recorda-nos que o zelo pelas almas é um mandamento amoroso do Senhor. Ao subir para a sua glória, Ele nos envia pelo mundo inteiro como suas testemunhas. Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunhas de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima.
Jesus parte, mas permanece muito perto de cada um. Nós O encontramos na Eucaristia, no Sacrário de nossas Igrejas .
Visitemos mais Jesus no Sacrário, à nossa espera!  Não deixemos de procurá-lo com frequência, ainda que na maioria das vezes só possamos fazê-lo com o coração, para dizer-lhe que nos ajude na tarefa apostólica, que conte conosco para estender a sua doutrina por todos os ambientes.

Nessa semana, que precede a Solenidade de Pentecostes, fiquemos unidos em oração, como disse Jesus: “Permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,48). Assim a vida da Igreja não começa com a ação, mas com a oração, junto com Maria, a Mãe de Jesus.
A festa de hoje nos fortalece a esperança pelo destino que nos aguarda, mas também nos lembra que a nossa missão hoje é continuar o projeto de Jesus, Não fiquemos de braços cruzados, parados, olhando para o Céu! É hora de olhar ao nosso redor e começar a Missão!
A Ascensão nos proporciona a oportunidade de ascender em cada ano com mais claridade a grande certeza de nossa vida: Jesus está vivo e está ainda conosco! E nossa maior esperança: nós iremos a Ele para ir junto ao Pai!
“Esse Jesus que vos foi levado para o Céu, virá do mesmo modo como O vistes partir para o Céu” ( At 1,11 ). Diz Santo Agostinho:  “Quem é esse que sobe? O mesmo que desceu. Desceu para me sarar e subiu para me elevar. Se me elevo sozinho, caio. Se me levantais, permaneço elevado. A Vós, que Vos elevais, digo: sois a minha esperança. Vós, que subis, sede o meu refúgio ( Sermões, 261, 1).
Os discípulos partiram (diz o Evangelho em Mc 16,20) e pregaram a Boa Nova por toda parte. Vamos nós também com humildade, sabendo em que vasos nós carregamos esta esperança, mas vamos com coragem.
Mons. José Maria Pereira  

sábado, 20 de maio de 2017

HOMILIA DOMINICAL



Homilia de Mons. José Maria Pereira 
VI Domingo de Páscoa - Ano A
A promessa de Jesus

Hoje celebramos o VI Domingo da Páscoa! A Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: Ascensão e Pentecostes; convida-nos a ter os olhos postos no Céu, a Pátria definitiva a que o Senhor nos chama.

No Evangelho de hoje ( Jo 14, 15-21 ), João define como podemos cumprir os mandamentos divinos. Agora nos ensina que o modo de viver o mandamento provém do próprio Deus. E, nem sempre conseguimos agir como queríamos. Também nós sentimos como São Paulo: “quero fazer o bem, mas faço o mal”. Por isso nos envia o Espírito Santo, por isso é Ele mesmo a falar e a agir em nós. Ele não nos deixa órfãos. É urgente que dediquemos tempo na oração para pedir a Deus a graça de fazer o bem no amor ao próximo.

Ensinou São Jose Maria Escrivá: “Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Não se trata de campanhas negativas, nem de ser anti- nada. Pelo contrário: viver de afirmação, cheios de otimismo, com juventude, alegria e paz; ver com compreensão a todos: os que seguem a Cristo e os que O abandonam ou não O conhecem.

   --- Mas, compreensão não significa abstencionismo nem indiferença, mas, atividade.”( Sulco, 864).

O Senhor prometera aos seus discípulos que, passado um pouco de tempo, estaria com eles para sempre. “Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, tornareis a ver-me…” (Jo 14,19-20). O Senhor cumpriu a sua promessa nos dias em que permaneceu junto dos seus após a Ressurreição, mas essa presença não terminará quando subir com o seu Corpo glorioso ao Pai, pois pela sua Paixão e Morte nos preparou um lugar na casa do Pai, “onde há muitas moradas. Voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14,2-3).

Os Apóstolos, que se tinham entristecido com a predição das negações de Pedro, são confortados com a esperança do Céu. A volta a que Jesus se refere inclui a sua segunda vinda no fim do mundo e o encontro com cada alma quando se separar do corpo. A nossa morte será precisamente o encontro com Cristo, a quem procuramos servir nesta vida e que nos levará à plenitude da glória. Será o encontro com Aquele com quem falamos na nossa oração, com quem dialogamos tantas vezes ao longo do dia.

Da Oração, do trato habitual com Jesus Cristo, nasce o desejo de nos encontrarmos com Ele. A fé purifica muitas das asperezas da morte. O amor ao Senhor muda completamente o sentido desse momento final que chegará para todos.

O pensamento do Céu nos ajudará a superar os momentos difíceis. É muito agradável a Deus que fomentemos a virtude da esperança, que está unida à fé e ao amor, e que em muitas ocasiões nos será necessária. Ensinou São JosemariaEscrivá: “À hora da tentação, pensa no Amor que te espera no Céu. Fomenta a virtude da esperança, que não é falta de generosidade” (Caminho, nº 139). Devemos fomentá-la nos momentos em que a dor e a tribulação se tornarem mais fortes, quando nos custar ser fiéis ou perseverar no trabalho ou no apostolado. O prêmio é muito grande! Está no dobrar da esquina, dentro de não muito tempo.

A meditação sobre o Céu deve também estimular-nos a ser mais generosos na nossa luta diária “porque a esperança do prêmio conforta a alma para que empreenda boas obras”( S. Cirilo de Jerusalém). O pensamento desse encontro definitivo de amor a que fomos chamados nos ajudará a estar mais vigilantes nas nossas tarefas grandes e nas pequenas, realizando-as de um modo acabado, como se fossem as últimas antes de irmos para o Pai.
O pensamento do Céu, agora que estamos próximos da festa da Ascensão, deve levar-nos a uma luta decidida e alegre por tirar os obstáculos que se interpõem entre nós e Cristo, deve estimular-nos a procurar sobretudo os bens que perduram e a não desejar a todo custo as consolações que acabam.

Jesus promete aos discípulos o envio de um defensor (Jo 14, 16-17), de um intercessor, que irá animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua história. Trata-se do Paráclito que é o nosso Consolador enquanto caminhamos neste mundo no meio de dificuldades e sob a tentação da tristeza. “Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, homens, podemos olhar com confiança para os Céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos dos nossos pecados. A presença e a ação do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos prepara” (Cristo que passa, nº 128). Invoquemos sempre o Espírito Santo! Ele é a força que nos anima e sustenta na caminhada cotidiana e nos revela a verdade do Pai.

“Para avançar na vida interior e no apostolado, o necessário não é a devoção sensível; mas a disposição decidida e generosa da vontade, em face das instâncias divinas.”(Sulco, 769).

Mons. José Maria Pereira

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A GENEROSIDADE DO SENHOR JESUS NA MISSA DE ENCERRAMENTO DO ENCONTRO DE EQUIPES NOVAS DAS ENS

Não poderíamos ver imagem mais emblemática durante a Missa do 4º Domingo da Páscoa – “O Bom Pastor” que encerrou o Encontro de Equipes Novas das ENS, em 07 de maio:



                           Monsenhor Paulo Daher, para desenvolver a homilia, pendurou sua bengala no Altar, vindo-nos, imediatamente, a imagem da delicadeza e da generosidade do Senhor Jesus que, sobre o altar, se fez Paulo Daher para que Paulo Daher, por vocação e amor, se fizesse o próprio Cristo dando-nos sua Palavra.

                        Dirigindo-se aos casais que participaram da formação do EEN, disse-lhes  que são casais privilegiados porque se dispuseram a parar, por dois dias, para avaliar a caminhada, o matrimônio e a vida em família, num mundo onde somos, diariamente, invadidos por tantas tendências, informações e afrontas.

                        Ressaltou a importância da formação do casal equipista e da assiduidade às reuniões mensais, salientando que o casal se salva em equipe, em comunidade. Nunca sozinho.

                        Por fim, mostrou-nos que tudo se dá ao seu tempo. Assim, Jesus iniciou sua vida pública aos 30 anos pois era o tempo necessário da família, onde deveria estar e ficar. Nesse tempo aprendeu, conviveu, respeitou e no tempo de Deus rompe os muros de sua casa, da pequena Galiléia para o mundo, para cumprir sua missão.

                        Rezemos, sempre, pelas vocações sacerdotais porque o Movimento das Equipes de Nossa Senhora é privilegiado por encontrar no Monsenhor Paulo Daher um pastor tão apaixonado e preocupado pelo seu rebanho.

Roseli e Aguinaldo

(Equipe 2 – Setor Itaipava)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

EEN

        Aconteceu, nos dias  6 e 7 de maio, o Encontro de Equipes Novas para os casais que terminaram a Pilotagem.
        Os casais do nosso Setor ficaram maravilhados com este encontro e estão ainda mais entusiasmados e sedentos de buscar a Espiritualidade Conjugal que o Movimento das Equipes de Nossa Senhora propõe.