sábado, 10 de agosto de 2013

HOMILIA DOMINICAL - 11/08/2013

VIGILÂNCIA
Mons. José Maria Pereira

No Evangelho (Lc 12, 32-48) o Senhor adverte-nos: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater” (Lc 12, 35-36).
Jesus exorta-nos à vigilância, porque o inimigo não descansa, está sempre à espreita, e porque o amor nunca dorme.
Os judeus costumavam usar umas túnicas folgadas e por isso cingiam-nas com um cinturão para poderem andar e executar determinados trabalhos. “Ter roupas cingidas” é uma imagem expressiva utilizada para indicar que alguém se prepara para realizar um trabalho, para empreender uma viagem, para entrar em luta. Do mesmo modo, “ter lâmpadas acesas” indica a atitude própria daquele que está de vigia ou espera a chegada de alguém. Quando o Senhor vier no final de nossa vida, deve encontrar-nos assim: em estado de vigília, como quem vive ao dia; servindo por amor e empenhado em melhorar as realidades terrenas, mas sem perder o sentido sobrenatural da vida, o fim para que tudo se dirige; avaliando devidamente as coisas terrenas – a profissão, os negócios, o descanso... –, sem esquecer que nada disso tem um valor absoluto, e que deve servir-nos para amar mais a Deus, para ganhar o Céu e servir os homens.
Não é muito o tempo que nos separa do encontro definitivo com Cristo; cada dia que passa aproxima-nos mais da eternidade. Pode ser neste ano, ou no próximo, ou no seguinte... Seja como for, sempre nos há de parecer que a vida passou muito depressa. O Senhor virá na segunda ou na terceira vigília... “E como não sabemos nem o dia nem a hora, é necessário, conforme a advertência do Senhor, que vigiemos constantemente para que, terminado o prazo improrrogável da nossa vida terrena (cf. Hb 9, 27), mereçamos entrar com Ele na festa e sermos contados entre os eleitos”.
Estamos vigilantes quando fazemos com profundidade o exame de consciência diário. Observa a tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam.
“– Lembra-te, filho, de que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses desacertos – como se cultivassem os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam” o ambiente.
“– Precisas de um bom exame de consciência diário, que te leve a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados”.
ESTAREMOS VIGILANTES no amor e longe da tibieza e do pecado se nos mantivermos fiéis a Deus nas pequenas coisas que preenchem o dia. Quem se habitua a repassar as pequenas coisas da cada dia no seu exame de consciência descobre com facilidade os indícios e as raízes que denunciam coisas são a ante-sala das grandes, tanto no sentido negativo como  positivo.
São Francisco de Sales fala-nos da necessidade de lutar nas pequenas tentações, pois são muitas as ocasiões em que se apresentam num dia corrente e, se se vencem, essas vitórias são mais importantes – por serem muitas – do que se se tivesse vencido uma tentação mais grave. Além disso, ainda que “os lobos e os ursos sejam mais perigosos do que as moscas”, no entanto “não nos causam tantos aborrecimentos, nem provam tanto a nossa paciência”. É fácil – ensina o Santo – “não cometer um homicídio; mas é difícil repelir os pequenos ímpetos de cólera”, que se apresentam com bastante facilidade. “é fácil não furtar os bens do próximo, mas é difícil não os desejar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas é difícil não mentir numa conversa; é fácil não embriagar-se, mas é difícil ser sóbrio”.
As pequenas vitórias diárias fortalecem a vida interior e despertam a alma para as coisas divinas. São ocasiões que se apresentam com muita frequência: trata-se de viver a pontualidade à hora de levantar-se ou de começar o trabalho; de deixar de lado essa revista insubstancial que pode semear confusão na alma ou, pelo menos, supõe uma perda de tempo e, sempre, uma boa ocasião de vencermos a curiosidade; trata-se de fazer um pequeno sacrifício à hora das refeições; de dominar a língua num encontro de amigos ou numa reunião social... Estamos convencidos de que “tantas vitórias quantas obtivermos sobre esses pequenos inimigos serão outras tantas pedras preciosas que se acrescentarão à que Deus nos prepara no seu Reino”.

Se formos fiéis nas pequenas coisas, permaneceremos cingidos, vigilantes, à espera do Senhor que está para chegar. A nossa vida terá consistido numa alegre espera, enquanto realizamos cheios de esperança a tarefa que o nosso Pai-Deus nos confiou no mundo. Então compreenderemos com profundidade as palavras de Jesus: Bem-aventurado aquele servo a quem o Senhor achar procedendo assim quando vier. Digo-vos na verdade que o constituirá administrador de tudo o possui. E Ele está para vir; não deixemos de vigiar.
Mons. José Maria Pereira
Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino
Tel: (24) 2221-1459
      (24) 2221-2187

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