quinta-feira, 5 de outubro de 2017

FAMÍLIA: Lugar de acolhida e desenvolvimento da pessoa.




          Segundo João Carlos Petrini, a família ainda continua sendo o espaço da convivência humana que determina toda a vida da pessoa. Desta forma, os relacionamentos familiares definem o “rosto” com o qual cada um participa dos demais ambientes.

          A família é um espaço de convivência humana ao qual cada membro pertence. Ela constitui uma rede de relacionamentos, que definem o “rosto” com o qual cada um participa dos diversos ambientes que cotidianamente frequenta, com o qual encontra as outras pessoas. Para um filho recém-nascido, pertencer a pai e mãe é uma questão decisiva para o seu desenvolvimento físico e psíquico. Mas, durante todo o arco da existência, pertencer a uma realidade maior do que si próprio é, de maneira análoga, fundamental para a pessoa.

          Pertencer a um conjunto de pessoas, que constituem uma família, por meio de vínculos complexos e profundos, realiza a pessoa como pai ou mãe, como esposo ou esposa, como filho ou filha, como irmão ou neto ou avô, como homem e como mulher. Os vínculos de pertença, todavia, foram, muitas vezes, motivo de opressão e abusos nas relações familiares. 

          Afirmou-se progressivamente o ideal da liberdade, entendida como autonomia para determinar o próprio percurso de vida. Ampliou-se a disponibilidade a quebrar os vínculos familiares, entre pais e filhos bem como entre cônjuges, quando percebidos como limitadores da própria expressividade. Cabe investigar circunstâncias socioculturais e religiosas que favorecem a pertença ou a autonomia, procurando identificar a diversidade de valores que orientam a conduta das pessoas.

          Os vínculos familiares realizam uma relação na qual a pessoa entra com a totalidade de sua existência, de seu temperamento, de suas capacidades e limites, diferentemente do que acontece com quase todos os outros ambientes da vida, nos quais se estabelecem relações parciais, limitadas a capacidades específicas, correspondentes a funções determinadas.

          Um grupo de pessoas é reconhecido como família quando se configura como uma relação de plena reciprocidade entre os sexos e entre as gerações. Trata-se de um recíproco pertencer, na maioria das vezes não simétrico, constituído através de processos de vinculação desenvolvidos em contextos diádicos.

             Essas características qualificam a família como complexo simbólico importante. Não é por acaso que quando alguém quer dizer que venceu a estranheza na relação com um ambiente ou com uma pessoa diz que se tornou “familiar”. 

          O complexo simbólico da família é o primeiro ponto de apoio, o primeiro cimento da sociedade. Demonstra-o o fato de que a família é importante também quando a pessoa vive distante, porque está presente como realidade simbólica que determina o vivido psíquico e o sentido existencial das pessoas. 

          A família é relação simbólica e estrutural que liga as pessoas entre si num projeto de vida, que entrelaça uma dimensão horizontal (a do casal) e uma dimensão vertical (a descendência e a ascendência), que supõe a geração de filhos. 

          A família permanece o símbolo concreto de que cada pessoa humana tem um lugar no mundo, não está condicionada a puros interesses ou instâncias de poder. De um lado, o complexo  simbólico familiar tem ampla difusão e consideração positiva, por outro, parece perder seus contornos, uma vez que a família é assimilada, às vezes, a qualquer forma de convivência sob o mesmo teto.

Dom João Carlos Petrini é bispo da Diocese de Camaçari (BA). É, sociólogo, e diretor do núcleo de Salvador do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família. (Texto Extraído do blog ens-lagos - publicação de 12/02/2014).

domingo, 1 de outubro de 2017


ELEIÇÃO DO CASAL RESPONSÁVEL DE EQUIPE





             O mês de outubro chegou e, com ele, o momento da eleição do Casal Responsável de Equipe para a caminhada do próximo ano.

             Uma rápida leitura do Manual Casal Responsável de Equipe, nos deixa a par dessa importante tarefa confiada pela equipe de base a um de seus casais. É em cima do texto desse manual do Movimento das ENS que desenvolveremos nossa reflexão.

            Em primeiro lugar, cada casal deve se conscientizar que a eleição é um chamado do Senhor Deus ao serviço, deixando claro o documento que: ¨...Não é em seu próprio nome que os casais da equipe nos escolhem; é o Senhor, por meio deles. E não é porque merecemos, mas porque o Senhor assim o quis.”

            É, mais do que nunca, necessário que tomemos posse dessa verdade em nossa vida. Deus nos chama! Chamou Abraão, Moisés, os profetas, os santos, Maria Santíssima, e tantos outros. Chamou-nos, casais equipistas, e nos chama, também, ao serviço para sermos Casais Responsáveis de nossa Equipe de base. A escolha é dele. A resposta é nossa.

            Ele nos chama e nos capacita, como chamou e instruiu a Moisés em Ex 3,14-15; à Maria, em Lc 1,30.

            O Manual “O Casal Responsável de Equipe” define os critérios de escolha:

"a) todo ano se escolhe um Responsável pela sua Equipe, podendo permanecer o mesmo casal por dois anos consecutivos no máximo, mas é desejável que todos se beneficiem desse serviço. No entanto, nem todos estão aptos para exercer esta função em todos os momentos de sua vida. Portanto, para o bem da Equipe, deve-se escolher o que reúne melhores condições para exercer o serviço nesse momento;

b) A escolha é feita pelos próprios casais da Equipe, de preferência antes da reunião de balanço, de modo que o novo Responsável possa se inteirar melhor das resoluções da Equipe. É uma escolha muito séria, que não se deve permear de interesses ou preferências pessoais, mas com orações e com a intervenção do Espírito Santo. É um ato de fé.

c) Não são critérios de escolha o sorteio e a rotatividade .

d) A escolha se faz por voto secreto, individual, isto é, não de casal. O SCE faz a apuração e anuncia como escolhido o casal que tiver mais da metade dos votos. Se o número não for atingido da primeira vez, vota-se novamente. Se houver empate, o Conselheiro dá o seu voto de minerva, sem dar esse fato a conhecer. Aliás, o Conselheiro deve anunciar o casal escolhido sem anunciar o número de votos atingidos.

e) Cada membro da Equipe deve escolher o casal que se acha mais disponível e mais apto no momento, mas deve acolher o casal voluntário que se achar em boas condições.

f) Nesse processo de escolha deve considerar valores como: coerência entre fé e vida, formação cristã e equipista, apostolado, boa comunicação, amor e entusiasmo pelo Movimento. E deve-se evitar casais que passam por crises conjugal, emocional, etc.

É bom também que o casal esteja disponível e queira participar do EACRE, seja desprendido, tenha esperança, seja otimista, entusiasta e ame a sua Equipe."

          Diante desses critérios, cabe-nos escolhermos, em eleição, aquele casal de nossa equipe de base que mais se aproxima das características apontadas pelo Manual, sendo certo que a nossa escolha, repita-se, é a escolha do Senhor.

           Entendemos, também, que o Casal Responsável de Equipe, eleito, tem a oportunidade, sem igual, de crescimento na fé, vez que, assim investido, terá a função central de animação da equipe, estando atento ao calendário anual do Setor, incentivando os membros da equipe a participarem de todos os eventos programados.

            Logo no início do ano, acontece em nossa Região, o EACRE – Encontro Anual dos Casais Responsáveis de Equipe, sendo formidável momento de partilha com tantos equipistas dos diversos setores que compõem a região. É neste encontro que o CRE eleito toma conhecimento das diretrizes para a caminhada de sua equipe no ano, tema e lema, livro e fôlego divino para chegar entusiasmado à equipe de base.

            O CRE, ainda, deve se preocupar com a unidade de ação de sua equipe, estando atento às diretrizes indicadas pelo CRS, aos Estatutos e documentos,  de modo que a prática da equipe seja a da proposta do Movimento em todo o mundo.  

            Por fim, o CRE, eleito, cresce na fé porque é um chamado para ir adiante, amar mais, perdoar mais, acolher mais. A reunião de balanço que ocorrerá no mês de novembro pode ser ótimo momento para um diagnóstico do que deva ser melhorado e mantido também.

            



                     Desejamos uma ótima eleição a todas as equipes do Setor Itaipava.

O PODEROSO FEZ EM MIM MARAVILHAS E SANTO É O SEU NOME!!!
          


1º de Outubro.

DIA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS.

(Doutora da Igreja)


“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo”.

     Santa Teresinha do Menino Jesus, oferecia todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior.

     A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar.
    Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.
    O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária “desde a criação do mundo até a consumação dos séculos”
    Sua vida nos deixou esse desejo missionário como proposta, selada na autobiografia “História de uma alma” e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam a Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.
         Morreu de tuberculose, com apenas 24 anos, no dia 30 de setembro de 1897 dizendo suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”
          Von Balthasar, sacerdote, teólogo e escritor suíço, disse que Teresinha realizou uma "transfusão de sangue" na teologia e ele não estava errado. Teresinha é a pequena teóloga de joelhos que tornou-se a Doutora da Ciência do Amor.
          Desta transfusão beberam o próprio Von Balthasar, Guitton, Bernanos, João Paulo II, Ratzinger, Thomas Merton, Edith Stein, Marthe Robin, o nosso Manuel Bandeira, o Papa Francisco, dentre outros. 
    Pouco antes de morrer, Santa Teresinha assim se pronunciou: "Depois da minha morte, farei cair do Céu uma chuva de rosas." 
     Que possamos, nós, equipistas, mirar-nos no exemplo e na entrega dessa serva muito amada de Deus em nossa caminhada!
Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!!!
(Fonte: www.cancaonova.com; Monsenhor José Maria Pereira)





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL






 XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A




O Patrão Generoso

“Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus”, diz o Senhor (Is 55,8).


     O homem não pode reduzir Deus à medida dos seus pensamentos, nem condicionar o comportamento do Altíssimo às suas categorias de justiça e de bondade. 

            Deus está muito acima do homem, muito mais do que está o céu acima da terra (Is 55,9); por isso, muitas vezes os projetos da sua providência são incompreensíveis à inteligência humana, que os deve aceitar com humildade, sem pretender adivinhá-los ou julgá-los. 

          Quantas vezes ficamos aquém das maravilhas que Deus nos preparou! Quantas vezes os nossos planos se revelam tão estreitos!
É este o ensinamento profundo contido na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16).

           Trata-se de um patrão que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha.Combina com eles um denário por dia.Torna a sair pelas nove,pelo meio dia, pelas três da tarde e pelas cindo da tarde.Chegado o fim do dia, manda pagar a todos o mesmo salário, a começar pelos últimos. Os primeiros murmuraram, pensando que haviam de receber mais. O patrão mostra que não é injusto para com os primeiros, e defende o direito de fazer o bem.

         Esta parábola pode aplicar-se ao povo judeu, que passou para o último lugar porque não reconheceu o dom de Deus.Depois chamou também os gentios.Todos são chamados com o mesmo direito a fazer parte do novo Povo de Deus, que é a Igreja. 

          Para todos o convite é gratuito.Por isso, os Judeus, que foram chamados primeiro, não teriam razão ao murmurar contra Deus pela escolha dos últimos, que têm o mesmo prêmio: fazer parte do Seu Povo. À primeira vista, o protesto dos trabalhadores da primeira hora parece justo. E parece-o, porque não compreendeu que poder trabalhar na vinha do Senhor é um dom divino.Jesus deixa claro com a parábola que são diversos os caminhos pelos quais chama, mas que o prêmio é sempre o mesmo: o Céu!

          Com esta parábola o Senhor não deseja dar-nos uma lição de moral salarial ou profissional, mas sublinhar que, no mundo da Graça, tudo é um puro dom, mesmo o que parece ser um direito que nos assiste pelas nossas boas obras.


          Os que fomos chamados a diferentes horas para trabalhar na vinha do Senhor, só temos motivos de agradecimento.A chamada, em si mesma, já é uma honra.”Não há ninguém, afirma São Bernardo,que, por pouco que reflita, não encontre em si mesmo poderosos motivos que o obriguem a mostrar-se agradecido a Deus.E especialmente nós, porque o Senhor nos escolheu para si e nos guardou para o servirmos somente a Ele”.



       O patrão insiste com mais energia no seu convite: “Ide vós também para a minha vinha”.

         Podemos ficar indiferentes diante de tantos que não conhecem a figura de Cristo? No campo do Senhor há trabalho para todos! Deus não chega nem demasiado cedo nem demasiado tarde às nossas vidas. O que Ele quer é que, a partir do momento em que nos visitou na sua misericórdia, nos sintamos verdadeiramente comprometidos a trabalhar na sua vinha, com todas as forças e com todo o entusiasmo, sem nos esquivarmos com promessas futuras, nem desanimarmos com o tempo perdido.

         Não são gratas ao Senhor as queixas estéreis, que revelam falta de fé, ou mesmo um sentido negativo e cético do ambiente que nos rodeia. Esta é a vinha e este é o campo em que o Senhor quer que estejamos inseridos nessa sociedade que apresenta os seus valores e deficiências. 

        É na nossa própria família, e não em outra, que devemos santificar-nos , e é essa família que devemos levar a Deus; e o trabalho que nos espera hoje, na Universidade ou no escritório, e não outro, que devemos converter em trabalho de Deus…Esta é a vinha do Senhor, onde Ele quer que trabalhemos sem falsas desculpas, sem saudosismos, sem exagerar as dificuldades, sem esperar oportunidades melhores.

            Para levarmos a cabo este apostolado, temos todas as graças necessárias. É nisto que se fundamenta todo o nosso otimismo.Deus chama-me e envia-me como trabalhador para a sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar para o advento do seu Reino na história: esta vocação e missão pessoal define a dignidade e a responsabilidade de cada fiel leigo e constitui o ponto forte de toda a ação formativa.

           O Senhor quer nos mostrar que no mundo da Graça não se podem fazer valer quaisquer direitos. É certo que o homem deve colaborar na sua salvação eterna, mas esta é um bem tão sublime que jamais deixa de ser um dom, até mesmo para as almas mais santas.

            Deus pode chamar a qualquer hora e o homem deve estar sempre pronto para responder ao Seu chamamento. “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto Ele está perto” (Is 55,6).



         
    Mons. José Maria Pereira

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

MISSA MENSAL

No dia 16 de setembro aconteceu a Missa Mensal das ENS do Setor Itaipava, na Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes em Araras.

Presidida pelo Monsenhor Paulo Daher, nosso querido sacerdote exortou-nos como casais equipistas a praticarmos, sempre, o perdão e o amor diante de um mundo tão violento e pecador.


         Perdoar de coração o irmão torna-se a exigência para fazer parte do Reino dos Céus.


sábado, 16 de setembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL



Homilia do Mons. José Maria
 XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano A

A Terapia do Amor


Hoje a Palavra de Deus nos propõe o grande tema do perdão. 
Diz o Senhor no livro do Eclesiástico:“Quem se vingar  encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados.Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim quando orares, teus pecados serão perdoados. Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? Senão tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?” (Eclo 28, 1-4.)
Quem não perdoa o irmão, não poderá exigir o perdão de Deus.
O pensamento da morte nos faz pensar diferente:”Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte e persevera nos mandamentos” (Eclo 28, 6-7).
A felicidade do homem não está em cultivar sentimentos de ódio e de rancor, mas sim em cultivar sentimentos de perdão e misericórdia.
No Evangelho (Mt 18, 21-35) Jesus revela um caminho de Reconciliação.
Pedro consulta Jesus sobre os limites do perdão: “Quantas vezes devemos perdoar”? Jesus responde: “70×7”, isto é, SEMPRE e todos, um perdão sem limites, inclusive aos inimigos que os judeus não incluíam.
O perdão não deve ficar na quantidade, mas na qualidade, de coração.
Jesus conta a parábola de um empregado que devia uma fortuna imensa e, por compaixão, foi perdoado.Em seguida, ele, sem compaixão, se recusa a perdoar um companheiro que lhe devia uma quantia irrisória : “Paga-me o que me deves”. O Rei indignado o castiga severamente…
E Jesus conclui dizendo:”Assim agirá meu Pai com quem não perdoar seu irmão de todo o coração…”
A parábola é um exame de consciência para nós; convida-nos a analisar as nossas atitudes para com os irmãos que erram.
Jesus nos ensina que o mal, os ressentimentos, o rancor, o desejo de vingança devem ser vencidos por uma caridade ilimitada que se há de manifestar no perdão incansável das ofensas alheias.
Para perdoar de coração, com absoluto esquecimento da injúria recebida, é necessária por vezes uma grande fé, alimentada pela caridade.
Perdoar, portanto, porque Deus nos perdoou e para que Deus nos perdoe! Mas esta não é a única motivação. O próprio Jesus deu outra motivação mais íntima e desinteressada: a misericórdia, um sentimento feito de compreensão,  de identificação com o irmão, de solidariedade e de humildade.
Perdoar é, portanto, de verdade, um gesto cheio de nobreza, digno do homem e indispensável para viver juntos e em paz.
São Paulo, seguindo o Mestre, exortava os Cristãos de Tessalônica: “Vede que ninguém pague a outro mal por mal.Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos” (1Ts 5,15). E pedia aos Colossenses: “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos  mutuamente sempre que tiverdes motivo de queixa contra alguém.Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também” (Col. 3,13).
Viveríamos mal o nosso caminho de discípulos de Cristo se, ao menor atrito  – no lar, no escritório, no trânsito… – , a nossa caridade se esfriasse e nos sentíssemos ofendidos e desprezados. Às vezes –  em matérias mais graves, em que a desculpa se torna mais difícil-,  faremos nossa a oração de Jesus:Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23,34). Em outros casos, bastará um sorriso , retribuir o cumprimento, ter um pormenor amável para restabelecer a amizade ou a paz perdida. As ninharias diárias não podem ser motivo para perdemos a alegria, que deve ser profunda e habitual na nossa vida.
O Senhor, depois de responder a Pedro sobre a capacidade ilimitada de perdão que devemos ter, expôs a parábola dos dois devedores para nos mostrar o fundamento desta manifestação da caridade. Devemos perdoar sempre e tudo porque é muito –  sem medida  –  o que Deus nos perdoou e nos perdoa. E diante dessa prova da misericórdia do Senhor, tudo o que devemos perdoar aos outros é simplesmente insignificante.
Ensina São JosemariaEscrivá: “Esforça- te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofenderem, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti”(Caminho, nº 452).
O perdão é a expressão maior do amor. É  aceitar e querer bem ao próximo assim como ele é; é agir como Deus; é agir a exemplo de Cristo. Perdoando, é para o Senhor que vivemos e para o Senhor que morremos (cf. Rm 14, 7-9).
Sem perdão não existe vida fraterna, vida conjugal, vida familiar ou vida comunitária.
Deus nos perdoa, na mesma medida com que nós perdoamos… O amor é o distintivo do cristão.
A falta de perdão leva a muitos outros sofrimentos, doenças, provoca uma vida azeda e estressante. Só o perdão alivia e restitui a alegria… É a chamada “terapia do perdão”.

Senhor, ensina – nos a perdoar!


Mons. José Maria Pereira

sábado, 9 de setembro de 2017

HOMILIA DOMINICAL



Homilia do Mons. José Maria
 XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Correção Fraterna e Oração

A Palavra de Deus, neste Domingo, pode ser desenvolvida,como meditação, refletindo sobre dois aspectos importantes da vida cristã: a correção fraterna e a oração em família.
Diz Jesus:”Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”(Mt 18,15).Este primeiro momento demonstra o respeito e o amor para com o próximo. Muitas vezes acontece que se espalha o erro da pessoa aos quatro ventos… Esta atitude não é cristã! É necessário rezar, pedindo as luzes do Espírito Santo para saber quando se deve calar… quando se deve falar… e como falar…
Caso o irmão não queira ouvir, Jesus ensina que se deve pedir a ajuda de outras pessoas, que tenham sensibilidade cristã e sabedoria…
Não se trata de condenar, mas de fazer a correção fraterna para que se restabeleça o amor (cf. Mt. 18,15-20).O grande  critério é o amor mútuo(Rm 13,8-10) para que a comunhão se restabeleça.
Se essa tentativa também falhar, levar o assunto à Igreja (Comunidade) para recordar à pessoa que errou as exigências do caminho cristão. Como se percebe, recomenda-se que fique tudo em casa…
O importante é colocar-se de acordo no bem. Deve sobressair o amor fraterno, o ágape,pois, “não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei”(Rm 13,8). Isto vale também para a correção individual entre irmãos... Santo Agostinho aplicou exatamente à correção fraterna as palavras de São Paulo sobre a caridade: “Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor;  seja que perdoes, perdoa por amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque  desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.
É importante observar o valor da oração em comunidade, em família.
“Se dois estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos Céus. Pois, onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”(Mt. 18,19-20).
A Igreja viveu desde sempre a prática da oração em comum (cf. At. 12,5).De modo particular, é muito agradável ao Senhor a oração que a família faz em comum!
“A oração familiar, ensina São João Paulo II, tem como conteúdo original a própria vida de família: alegrias e dores, esperanças e tristezas, nascimento e festas de anos, aniversário de casamento dos pais, partidas, ausências e regressos, escolhas importantes e decisivas, a morte de pessoas queridas, etc., assinalam a intervenção do amor de Deus na história da família, assim como devem marcar o momento favorável para a ação de graças, para a súplica, para o abandono confiante da família ao Pai comum que está nos Céus. A dignidade e a responsabilidade da família cristã, como Igreja doméstica, só podem ser vividas com a ajuda incessante de Deus, que será concedida, sem falta, a todos os que a implorarem com humildade e confiança na oração.” (Exortação Apostólica FamiliarisConsortio, 59).
A oração em comum comunica uma particular fortaleza a toda a família, pois fomenta o sentido sobrenatural, que permite compreender o que acontece ao nosso redor e no seio do lar, e nos ensina a ver que nada é alheio aos planos de Deus: Ele se mostra sempre como um Pai que nos diz que a família é mais sua do que nossa!
“Onde há caridade e amor, ali está Deus”. Quando nós, cristãos, nos reunimos para orar, Cristo encontra-se entre nós.Ele escuta com prazer essa oração alicerçada na unidade.Assim faziam também os Apóstolos:”Perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres,  entre elas Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos dele”(At 1,14). Era a nova família de Cristo.
Em família, no mês da Bíblia e sempre, intensificar a leitura orante da Bíblia.
Outra fórmula de oração, que é um belo ato de piedade e de oração familiar, por excelência, é o terço.Ensina São João Paulo II:”A família cristã encontra-se e consolida a sua  identidade na oração. Esforçai-vos por dispor todos os dias de um tempo para dedicá-lo juntos a falar com o Senhor e a escutar a sua voz.Que bonito quando numa família se reza, ao anoitecer, nem que seja uma só parte do Rosário!Uma família que reza unida permanece unida, uma família que ora é uma família que se salva.
A Igreja quis conceder inúmeras graças e indulgências aos que rezam o terço em família. Esforcemo – nos por fomentar esta oração tão grata ao Senhor e à sua Santíssima Mãe, e que é, no dizer de São João XXlll, “uma grande oração pública e universal em face das necessidades ordinárias da Igreja santa, das nações e do mundo inteiro”.  É um bom ponto de  apoio para a unidade familiar e a melhor ajuda para enfrentar as necessidades de toda a família.
Comportai-vos de tal maneira que as vossas casas sejam lugares de fé cristã e de virtude, mediante a oração em comum”.

“Estarei no meio deles”, diz Jesus.Tratando-se da correção fraterna através dos meios indicados por Jesus, quando a mesma não for possível, ainda poderá ser possível pela Oração, feita em comum, em nome de Jesus.